Goiabada com queijo

05/07/2016 17:15:33

Adamar Gomes


Minha ida ao Mercado Municipal na manhã daquele sábado não poderia ser por muito tempo, pois havia o compromisso de produção e apresentação do programa Bola na Rede, na Rádio Clube de Patos. Mas, quando se vai ao Mercado fica muito difícil delimitar um tempo, passar de passagem, é muito complicado. Isso porque, além de cumprir o objetivo daquela caminhada, ou seja,  adquirir a famosa goiabada cascão e, claro, o queijo fresquinho para compor - que delícia, hein - teria, inevitavelmente, o lero-lero com os amigos, que se inicia com o tradicional “bom dia” e se estende por assuntos, os mais variados possíveis, inclusive futebol, que é a nossa área de atuação nas funções diárias.

E estava lá o Antonio dos Frangos, que andou meio sumido um tempão, cheio de papo e de palpites sobre o esporte bretão. O Tonico, alguns o chamam assim, me indagava sobre o futebol do Brasil em Olimpíadas, sabedor que apesar de ter conquistado cinco títulos mundiais, o futebol verde-amarelo jamais puxou uma medalha de ouro, tendo três medalhas de prata e duas de bronze.

Aqui abrimos um parênteses prá dizer que o futebol foi o segundo esporte coletivo a entrar de maneira oficial nos Jogos Olímpicos, em 1908. É o torneio mundial mais imprevisível que existe, com medalhas conquistadas por países sem muita projeção internacional, como Nigéria (ouro em 1996 e prata em 2008), Camarões (ouro em 2000), sem contar as de bronze do Japão (1968), Gana (1992), Coreia do Sul (2012).

Mas, essa história não incomoda apenas o Brasi. A Alemanha, outra grande potência mundial, só conseguiu uma única medalha, de bronze, em 1988, ainda como Alemanha Ocidental e desde então nunca mais se classificou para o torneio de futebol. Tá certo que a Alemanha Oriental faturou o ouro em 1976, além de uma prata e um bronze.

Pois bem, o Antonio dos Frangos queria um pitaco meu sobre a seleção, e a possibilidade da medalha dourada.

Falei prá ele sobre o treinador Micale e suas escolhas. Um técnico que se diz preparado para a função. Ao longo de 17 anos dirigindo categoria de base, vem estudando as nuances do futebol e teve um ano e meio para selecionar jogadores e avaliar. O treinador considera que é uma seleção muito equilibrada, passando por todos os setores que, no futebol moderno, têm que estar em harmonia, interligados, o chamado jogo solidário. A compactação do time é importante, para reforçar a marcação, diminuir espaços para os adversários e utilizar da habilidade, força e velocidade para surpreender.

Não cabe no momento, questionar convocação. O Micale está lá prá isso. Ele conhece o potencial de cada jogador e sabe os porquês das convocações dos três acima de 23 anos, o experiente goleiro Rogério Prass, do Palmeiras e mais Douglas Costa do Bayern de Munique e Neymar do Barcelona. Sei que outros jogadores poderiam estar na lista, porém o treinador tem os seus motivos, dentro do seu esquema tático, para chamar esses três.

O Tonico queria saber se essa máquina vai ou não engrenar?

Aí é que mora o perigo. Não basta ter bons valores individuais. Há muitas histórias prá contar sobre times que no papel eram uma “Brastemp”, mas na prática não decolaram, ficaram no débito. Um time de futebol se faz com bons jogadores e também com conjunto, entrosamento, tem que dar liga. Se essas duas coisas estiverem juntas é “mão na roda”, vai longe, tem tudo prá dar certo, embora não seja matemático, pois o imponderável faz parte do futebol, as zebras estão aí para acontecerem.

De qualquer forma, essa mistura é importante: jogador mais entrosamento. É como se fosse a goiabada cascão com queijo, que acabei levando prá casa naquela manhã de sábado.



Adamar Gomes - radialista e jornalista, atua no Sistema Clube de Rádio. É narrador esportivo e chefe da equipe Bola na Rede da Rádio Clube. Participa do Liberdade nos Esportes. Publica notícias do esporte no site AG Esporte e Clube Notícia.